Em meados de 2001, quando bandas como Falamansa, Bicho de PĂ© e
Rastapé explodiram com diversos hits em rádios populares, eu não fazia parte do
universo chamado forrĂł. NĂŁo sei dizer o quanto esse sucesso impulsionou o
ritmo, o quanto ele trouxe de novos frequentadores Ă s casas de forrĂł e como os
outros trios aproveitaram essa onda.
Meu envolvimento com o ritmo
começou em 2008 e desde que comecei, ouço por todos os cantos e de muitas
pessoas, sejam elas frequentadoras, mĂşsicos e produtores, que o forrĂł precisa
voltar para mĂdia.
Pois bem, hoje temos uma
novela no principal canal de televisĂŁo do PaĂs, que tem como trilha sonora o
mais autêntico forró pé de serra. Além disso, uma sanfoneira e forrozeira de
qualidade, Lucy Alves, que faz um dos papéis principais.
Se vocĂŞ acha isso pouco, faz
uma semana que a banda pernambucana “FulĂ´
de Mandacaru” venceu a terceira edição de um dos principais concursos de
mĂşsica da televisĂŁo, o SuperStar, que
é apresentado no mesmo mega canal da produção de dramaturgia citada acima, e no
qual foi escolhida nĂŁo por jurados e sim pelas pessoas que acompanham o
programa, exibido nas tarde de domingo.
Mesmo com toda essa exposição
do forrĂł, nessa que chamamos de grande mĂdia, as rádios comerciais continuam
não tocando esses clássicos. Os programas que
atingem a grande massa, como
DomingĂŁo do FaustĂŁo, nĂŁo chamaram nenhuma dessas bandas para se apresentar em
seus palcos. Aliás, a sanfoneira Lucy até foi convidada, mas participou como
atriz da novela.
Lógico! É inegável que o Forró
está sendo visto e ouvido por milhares de pessoas todos os dias.
Aproximadamente um milhĂŁo e oitocentos domicĂlios estĂŁo ligados na novela “Velho
Chico” por dia e mais de 650 mil lares acompanharam a final do reality show
musical.
E Ă© exatamente
por conta dessa exposição, que eu me questiono sobre como isso pode impactar
neste movimento. Como os mĂşsicos e produtores podem se aproveitar disso? E a
última pergunta, e talvez a mais importante, é: Será que os trios e bandas
estĂŁo preparados para este momento tĂŁo esperado? Talvez o mais esperado desde a
época do forró universitário?
É baseado nestes
questionamentos que eu faço uma reflexão.
Bandas e produtores que nĂŁo fazem uso de nenhum apoio de assessoria de
imprensa para difundir seus eventos. Produtores, que nĂŁo conseguem receber
crĂticas de seu pĂşblico, responde-las de maneira profissional, e usar isso para
amadurecer seus projetos.
Nesta mesma linha, vejo bandas
e trios que não tem um site de divulgação. Músicos que estão nas redes sociais
para mostrar seu trabalho e nĂŁo as atualizam. MĂşsicos que as utilizam para expor
mais a sua vida pessoal do que profissional ou que pelo menos nĂŁo conseguem
separar as duas coisas.
Atualmente, temos muitas
bandas e trios para atender as poucas casas de forrĂł, espalhadas pelo Brasil,
mas temos poucos músicos preparados para explodir no sucesso, tocar em rádios
comerciais, fazer dezenas de shows em um mĂŞs, por todo o PaĂs.
Quais artistas, dentro do
forró, correm atrás de editais para fazer grandes shows, ou até mesmo para
gravar seu CD ou DVD? Acho que podemos contar nos dedos, os que investem nisso.
Na contra mĂŁo, vemos diversos
esbravejando e sempre questionando porque sĂł os mesmos tĂŞm essas oportunidades. A
resposta Ă© muito simples! Porque sĂł os mesmos trabalham para isso, nĂŁo se
contentam com caches baixĂssimos e a falta de estrutura das casas especializadas.
Talvez
seja esse preparo que esteja fazendo outros ritmos tomarem conta de festas
populares, como as festas juninas, que estĂŁo cada vez mais profissionais.
Enfim, o forrĂł precisa sim
estar na mĂdia, precisa explodir, mas antes disso o forrozeiro (produtor,
músico e frequentador) precisa estar com a cabeça aberta para aceitar o que o
mercado exige em troca.
O forrĂł tem a alma simples,
mas precisa ser encarado de forma profissional. As casas precisam fornecer
estrutura, os mĂşsicos precisam produzir cd’s profissionais, investir na
comunicação, na divulgação e produção. Isso, sem contar os estudos. Já nós
forrozeiros, devemos valorizar quem trabalha de verdade, comprar cd e mostrar
para todos, essa nossa cultura tĂŁo amada.
Foto: Internet
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E m meados de 2001, quando bandas como Falamansa, Bicho de Pé e Rastapé explodiram com diversos hits em rádios populares, eu não fazia pa...

